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Resgate de Pessoas – Rendição ao Terror? |
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A necessidade de manter a capacidade de dissuasão e o receio de outros raptos sobrepujam o princípio de resgate de prisioneiros de guerra? A preocupação com uma família justifica um golpe adicional à outra família? O pai de Benny Avraham, z”l frente ao Diretor-Geral da Associação das Vítimas do Terror. |
Por Haim Avraham
Sábado de tarde, 7 de outubro de 2000, cinco meses após a retirada do Exército de Israel do sul do Líbano. Uma batida na porta, minha esposa Edna abre a porta e se depara com um oficial e dois acompanhantes. Ela logo pergunta: “O que aconteceu com nosso filho?” Ele não está morto, e nem ferido – nada, apenas foi raptado. Desde aquele dia, nossas vidas se tornaram um inferno, e o fim é conhecido. Com todo o meu coração, eu tinha a esperança que meu filho Benny Avraham e seus colegas Omar Swa´ad e Adi Avitan z”l, tenham sido os últimos dos caídos nas guerras de Israel. Mas me decepcionei. Nestes dias, quando Gilad Shalit, Ehud Goldwasser e Eldad Regev são mantidos prisioneiros pelas organizações terroristas, retorna o sentimento de mêdo, como se estivessem novamente ocorrendo conosco as aflições, a impotência, a dor e a falta de notícias sobre seus destinos.
Por três anos e meio a Hizbalá se recusou a dar informações sobre o destino dos soldados, confundiu as famílias com informações contrárias e opostas, o que só piorou a situação. Nem as organizações humanitárias, nem chefes de governos, parlamentares ou clero conseguiram dar uma solução ao rapto dos soldados. Após longas negociações, através de intermediários alemães e sob a liderança do general de reserva Ilan Biran, os soldados foram liberados e voltaram do cativeiro para seus lares.
18 anos estivemos afundados no lodo libanês, cheio de intrigas e controlado por grupos que brigam pelo mercado de drogas na região, com o apoio do Irã e da Síria – países que foram designados como “o eixo do mal” do terrorismo mundial. Durante os anos em que o Exército de Israel esteve no Líbano, foram raptados e aprisionados muitos soldados, com o objetivo de os usar como moedas em negociações. A liberação ocorreu sempre através de longas e difíceis negociações, com o sucesso estando ligado sempre com a liberação de terroristas.
Está claro para todos, que qualquer liberação de terroristas que cometeram atos atrozes, é um profundo golpe à dissuasão israelense e seus objetivos. Faz-se a difícil pergunta, se existe outra maneira de trazer os filhos para casa? Não podemos nos esquecer que os rapazes foram enviados pelo Estado, e nossa responsabilidade moral em relação a eles é um valor superior para uma sociedade que luta pela sua existência por mais de cem anos.
Nossos soldados, que partem para missões cheios de motivação, prontos para executar todas as operações dadas a eles – necessitam estar certos de que os chefes do governo e o público estão atrás deles em qualquer situação de perigo na qual se encontram. Eles devem saber que serão salvos. Uma sociedade que acredita na justiça de seu caminho, e que repousa sobre seus valores e fé, precisa retornar à fonte da qual absorve esta fé, a observar e chegar à conclusão que o princípio de resgate de prisioneiros é um valor superior. “Não há valor maior do que o resgate de prisioneiros, pois o prisioneiro é o mais faminto e o mais sedento e o mais despido e está em perigo de vida”, diz o Rambam. Na tradição judaica, o cativeiro é considerado o pior dos males; quem adia mesmo por uma hora o resgate de um prisioneiro, é como se tivesse derramado sangue. Para o resgate de prisioneiros está permitido mesmo a utilização de dinheiro que foi designado para os pobres ou para a construção de uma sinagoga; é permitido mesmo vender os Livros da Lei.
Atrás de todos nossos soldados prisioneiros e desaparecidos, entre eles Zacharia Baumel, Yehuda Katz, Zvi Feldman, Ron Arad e Gay Haver, estão as famílias preocupadas, transtornadas, que não sabem o que aconteceu com seus e nossos filhos, e aguardam seu retorno próximo. Nossas atividades devem ser cuidadosas, bem pensadas, para que caiamos nas armadilhas postas pelas organizações terroristas, para que não caiamos em fossas indesejáveis durante as negociações e para não causar danos à capacidade de dissuasão. E mesmo assim, o resgate de prisioneiros é um valor superior. |
Por Meir Eindor
Os números falam por si mesmos: 80% dos liberados das prisões voltaram ao círculo de terrorismo. 14 atos de atentados suicidas foram perpretados por terroristas liberados. Dois dos terroristas que mataram a judia que acreditava na paz e trabalhava como tradutora na parte leste de Jerusalém, eram terroristas liberados na troca Jibril. Foram liberados 1.160 terroristas nesta troca, entre eles figuras centrais, como Kozo Akamoto. A mãe de Yoske Grup, prisioneiro de guerra, recebeu seu filho em casa, junto com outros quatro prisioneiros, depois de uma grande luta na mídia envolvendo todas as autoridades e todas as instâncias – e centenas pagaram com suas vidas e ferimentos, pois os mesmos terroristas organizaram a primeira intifada e se tornaram a estrutura das grandes ondas de terror desde o Tratado de Oslo. Quando Nasrallah declarou que somos uma sociedade de teias de aranha, ele queria dizer com isto, entre outras coisas, que em Israel não tem quem tome as rédeas: terroristas são normalmente liberados e a voz de uma mãe provoca mudanças críticas. O preço foi justificado?
Desde que Elhanan Tenenbaum foi liberado os raptos se multiplicaram, e desde que foram retornados corpos em troca de terroristas, os corpos também se transformaram em moeda no comércio libanês. Assim que foi concluída a troca com Nasrallah – corpos em troca de terroristas – ele começou a falar sobre novos raptos. As coisas estavam claras mesmo antes da finalização da troca, mas nos foi dito – aos ativistas de Almagor, as famílias das vítimas e dos feridos do terror – quem poderia olhar nos olhos dos pais dos raptados?
Agora chegou a hora de perguntar: e quem olhará nos olhos das famílias que foram vítimas do terror, que foram vitimadas nas recentes operações de rapto? Quem manterá seus olhos firmes nos cidadãos anônimos, porque ainda não sabemos seus nomes, que andam nas ruas e que serão as próximas vítimas de rapto e de morte? Quem olhará nos olhos dos pais dos mortos quando virem a multidão de terroristas saindo das prisões, fazendo “V” com as mãos, rindo para todos os lados, abraçando-se com suas famílias, enquanto que seus entes queridos estão enterrados debaixo da terra?
Mesmo o legislador moderno compreendeu que para apoiar as vítimas, devemos demonstrar que a justiça foi feita. Ele proporcionou para isto uma parte da Lei das Vítimas do Terror, que possibilita às vitimas aparecer no tribunal, argumentar sobre a sentença e acompanhar sua execução. Hoje está claro a todos, que como parte da recuperação mental das vítimas, elas devem estar certas de que o perpetrador está cumprindo sua sentença. Também na antiga lei da Torá existia esta posição – “redentor do sangue”, que dava a possibilidade e a legitimidade legal aos parentes de exigir a punição dos que atingiram seus entes queridos. A procura da justiça está expressa no Livro dos Números, na declaração “Não contaminarás a terra com sangue”, ou seja, a terra não pode suportar que sangue inocente seja derramado, e a sociedade deve punir quem a atingiu; o perpetrador não pode resgatar sua liberação da punição, mesmo se for rico como Midas. Portanto, não há sentido que a sociedade israelense libere os perpetradores de crimes, por causa da violência adicional que eles e seus companheiros exaltam.
No passado as coisas eram diferentes: o falecido Prof. Yuval Neeman me contou, que quando era vice-chefe da Divisão de Inteligência do Exército de Israel, haviam prisioneiros israelenses nas mãos dos seus inimigos. Ele não recebeu os pais dos prisioneiros em audiência, para não ceder à pressões sentimentais. Demorou muito tempo, mas os prisioneiros foram devolvidos, e sem ceder a pressões, depois que Israel iniciou raptos paralelos. Houve um judeu que não cedeu às pressões, mas ele pagou por isto com sua liberdade e sua vida – o Mestre de Rotenberg, líder judeu europeu que viveu entre os anos de 1215 e 1293. Ele foi raptado e preso, e por sua vida foi pedida uma soma imensa. Mesmo quando os judeus se ofereceram para pagar a soma do resgate, ele decidiu que não deve ser resgatado, porque achava que sua liberação nestas condições traria outros raptos. Ele faleceu na catividade, e a lenda conta que decidiu que também seu corpo não seja resgatado – sob o mesmo princípio. Frente ao importante princípio de resgate de prisioneiros, ele apresentou uma etiqueta de preço que além dele não deve ser pago, uma regra talmúdica que vigorou em tempos que proliferaram os raptos e os resgates.
Nestes últimos dias, quando os pais enviam seus filhos para combater, às vezes com resultados de morte ou ferimentos, contra quatro terroristas, deve-se ser muito mais do que um tolo para liberar centenas de terroristas. Quem enviaria soldados para batalhas, quando centenas de terroristas que foram capturados após batalhas e vítimas serão liberados para a alegria das organizações terroristas? |
Haim Avraham é o pai de Benny Avraham, z”l, que foi raptado pela Hizbalá e cujo corpo foi devolvido em troca de prisioneiros.
Meir Eindor é tenente-coronel (reserva), foi vítima do terror e é o Diretor-Geral de Almagor – Associação das Vítimas do Terror.
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באדיבות 'זירת פיוס' – מדור משותף ל'ynet' ולקרן 'אבי חי'
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