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המחלקה לחינוך יהודי-ציוני, חטיבת האופק, תחום ליווי שליחים

א' ניסן תשס"ו, 30 במרץ 2006

PENSAMENTOS SOBRE A LIBERDADE
Naama Kelman

© www.tikah.co.il

Em Pessach nós celebramos milagres. Celebramos a dádiva da liberdade. Lembramos a ação do Senhor na relato da liberação dos Filhos de Israel da escravidão. Esta é a razão da celebração do Seder, onde contamos a história da saída do Egito e o caminho para a liberdade. Mas qual o significado da idéia de liberdade para nós hoje em dia? Para nossa alegria, vivemos numa época em que a maioria dos judeus não estão escravizados, mas mesmo longo tempo após a saída do Egito a nossa tradição nos lembra repetidamente quão essencial é a liberdade. Dois pilares de nossa tradição são: Gênesis (a Criação) e a Saída do Egito (a Redenção). Nós vivemos com estas forças dinâmicas. A Criação representa a promessa de renovação diária, enquanto que a Redenção é o objetivo que nos propulsiona a transformar o mundo num lugar melhor, a liberdade nos permite viver com a esperança de criar e melhorar, renovar e consertar. A liberdade vem junto com a responsabilidade. Sem um sistema moral como base, a liberdade é uma farsa. Por esta razão, mesmo os rabinos dos tempos talmúdicos que interpretavam nossa Bíblia compreenderam que a liberdade deve estar baseada na Lei.

Após a liberação da escravidão no Egito nós lemos o relato da entrega da Torá. Os Dez Mandamentos são as leis morais que guiaram o povo judeu durante toda sua história. Moisés trouxe as Táboas da Lei, os Dez Mandamentos (Deuteronômio, 22:19): “E a liberação – feito de Deus, e a missiva, missiva de Deus é – a liberdade do caminho”.

O significado de “liberdade” está gravado na pedra, mas nossos rabinos gostam de fazer associações livres, “brincar” com os significados expostos e escondidos das palavras. Eles nos propõem assim: “Não chame a liberdade mas sim a liberdade...a liberdade das diásporas”.

Esta declaração deve ser lida como “liberdade da possibilidade de viver como exilado, e portanto livre do exílio forçado”. O exílio, ou seja, uma forma de escravidão, nos retira a possibilidade de sermos plenos e completos “cidadãos” judeus. A liberdade nos proporciona a oportunidade de vivermos uma vida moral e consertar o mundo. A liberdade é a responsabilidade total por nossos destinos e pelos destinos de outros.

Na Hagadá está escrito que cada geração deve se considerar como se ela mesmo tivesse saído do Egito. Eu me sinto uma pessoa de sorte em especial porque posso ser contada na corrente de liberação das mulheres judias inicada a 30 anos atrás. Esta revolução é nova e também antiga. Para mim não é menor do que um pequeno milagre. Agora eu posso ser contada como uma cidadã plena da povo judeu, e em especial dentro da tradição judaica liberal.

Lembro da excepcional discussão talmúdica sobre a função da mulher nos acontecimentos milagrosos. Dentre as discussões sobre as obrigações das mulheres de cumprirem certas mitzvót, encontramos a discussão seguinte:

Nossos sábios isentaram as mulheres de cumprir mitzvót ligadas ao tempo. Mas como muitas decisões, houveram casos de exceções da regra geral, e exatamente há muito o que aprender de exceções. Nossos sábios se perguntaram se as mulheres devem ouvir a Meguilá de Ester, que é uma mitzvá ligada a um certo tempo (pois ouvimos a Meguilá em certa época do ano). A resposta está escrita na Massechet Meguilá, página 4. Disse o Rabbi Yehoshua ben Levi: “As mulheres devem ler a Meguilá porque elas participaram deste milagre”, e esclarecem as Tossafót (intérpretes que são descendentes de Rashi): O cerne do milagre foi por elas: em Purim através de Ester, em Hanuká através de Judite, em Pessach por intermédio das mulheres justas que foram redimidas naquela geração”. Quem foram estas mulheres justas? De acordo com outros Midrashim, talvez a menção seja sobre parteiras, que ao contrário das ordens das autoridades salvaram os rebentos machos, talvez sejam estas as mulheres de Israel, que de acordo com o Midrah Massechet Suta saíram para os campos para alegrar os ânimos de seus maridos, que sofriam do trabalho escravo a que foram obrigados a fazer. Novamente o cerne do milagre foi através de mulheres. O que fizeram elas? Como operaram para causar este grande milagre do cálice de óleo ou da abertura do Mar Vermelho? Poderá ser que seus pequenos atos trouxeram o milagre de Hanuká ou mesmo a saída do Egito? O que há de comum entre todas estas muhleres é que elas se recusaram a aceitar uma dura realidade. Elas enfrentaram a realidade em que viviam, elas se recusaram a estar presas a um destino que lhes foi imposto. Estas mulheres justas no Egito podem simbolizar quem em qualquer época se recusa a aceitar uma decisão injusta, quem levanta a cabeça contra o opressão. A recusa de perder as esperanças é o cerne da liberdade. No relato da saída do Egito, estas pequenas ações humanas propiciaram o caminho para os acontecimentos do grande milagre, estas foram pequenas ações de amor, de compreensão, de respeito aos outros e de esperança, esperança e mais esperança.

De acordo com um Midrash conhecido, quando os Filhos de Israel estavam nas margens do Mar Vermelho, e os egípcios se aproximando na sua retaguarda, foi Nachshon que pulou na água e assim causou a abertura das águas para que os Filhos de Israel pudessem passar para a outra margem e para a liberdade. Com sua marcha seguindo as mulheres justas, provou Nachshon a dimensão humana dos milagres.

Em outras palavras, sem a presença humana, sem a coragem pessoal de agir, o Senhor não pode começar o trabalho ou finalizá-lo. Os grandes milagres acontecem quando pequenos milagres os antecedem. Não estaríamos aqui hoje se nossos ancestrais homens e mulheres não tivessem se recusado a aceitar um destino amargo. Com a ajuda da esperança e da coragem, mudaram o destino e transformaram a realidade totalmente. Não devemos esperar que a liberdade venha a nós, devemos a viver!

 


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