Inside the Jewish Agency

Nathan Sharansky

O evento marcando trinta anos da libertação de Natan Sharansky da prisão soviética, aconteceu em Kiryat Moriah em Jerusalém, e foi focado na habilidade do indivíduo de fazer a diferença em sua vida e na vida de toda a sociedade. A conversa, da qual participaram, além de Nathan Sharansky o tenente- coronel Tomer Buhadana, diretor do Bait Patuach (a ONG Darna-Casa Aberta para o desenvolvimento de Jovens em Risco) e Dr. rabino Sharon Shalom, escritor e rabino em uma comunidade em Kiriat Gat, que fez Alia da Etiópia para Israel em 1980.

>"Ser um homem livre, e fazer parte, são dois opostos que caracterizam,  a meu ver, a situação existencial do homem em geral e dos judeus em particular ", disse Natan Sharansky, em uma festa organizada em sua homenagem em Kiriat Moriah, Jerusalém, marcando trinta anos da sua  liberação da prisão soviética , sua Aliá, e o reencontro com sua esposa – Avital , após 12 anos de aprisionamento na antiga União Soviética. >Com a presença de sua esposa, Avital, as duas filhas e netos,  membros do curso preparatório pré-militar, participantes de Ulpan "Etzion" Jerusalém, Shlichim jovens, e muitos outros convidados, o evento foi marcado pela "capacidade do indivíduo de fazer a diferença em sua vida e nas vidas de toda uma sociedade".  O  evento girou em torno de uma conversa   com a participação, além de Natan Sharansky, do tenente-coronel (res.) Tomer Buhadana, do diretor da ONG Darna para Jovens em Risco (Association), do  Dr. Rabi Shalom Sharon, escritor e rabino eu uma comunidade em Kiryat Gat, que emigrou da Etiópia na década de oitenta, e que ensina filosofia judaica na Universidade de Bar-Ilan, em Ramat Gan.

Natan Sharansky: Junto - o povo judeu todo

"Eu ouço as pessoas falarem sobre o sucesso duma demonstração. Qual é a medida de sucesso para uma demonstração? Em Israel ou em qualquer parte do mundo; o índice é o número de pessoas que participaram da manifestação. Quando eu era o porta-voz da organização de direitos humanos -   o Helsinki Group, liderado por Yuri Orlov, e a organização dos dissidentes e refuseniks judeus na União Soviética, o nosso sucesso dependeu de uma notificação prévia a um jornalista estrangeiro,  que publicou a história da manifestação no dia seguinte à sua realização, ainda que estivessem presentes apenas 5-6 pessoas, que foram detidas  imediatamente após o início da manifestação.

Se não fosse pela publicação pelo jornaista  na imprensa mundial, e, em decorrência desa publicação,  a presença do povo judeu do mundo todo ao lado dos poucos manifestantes, alguns dos quais foram enviados para a Sibéria ou para detenção, não poderíamos sobreviver nem mesmo um dia. Juntos, todo o povo judeu, pode manter sua existência, e daí a minha filosofia: a pessoa deve ser livre, mas, ao mesmo tempo, ela deve pertencer, se tem um desejo de existir no mundo ", disse Sharansky.

"Se você quiser ter sucesso, você precisa se identificar, ficar conectado com o mundo judaico, e desta forma será possível mudar o mundo", disse ele.

 Estas palavras formaram uma ligação natural com as observações de Tomer Buhadana, oficial dos pára-quedistas,   gravemente ferido na segunda guerra do Líbano, que cresceu sem sua mãe, que foi criado  em um   internato, se meteu em algumas  complicações, mas decidiu que sua vida deve ser diferente, e hoje ele cuida de jovens em risco.

Tomer Bohadana: a lesão  foi a melhor coisa que me aconteceu na minha vida

"Esta é a melhor coisa que já me aconteceu", disse Tomer Buhadana ao público que assistiu ao evento,  "uma vez que eu não poderia fazer o que faço hoje se não fosse pelo que me aconteceu , e pelo longo processo da restauração." Antes de ser ferido, Tomer  trabalhou na área de segurança,  e completou seus estudos acadêmicos, sem que  muitos conhecessem   sua história  de vida.

Qual é a fonte de motivação que te leva?   lhe perguntaram,  e ele respondeu:

"Quanto mais  as portas se fechavam, mais  cresceu minha decisão de   ter sucesso. Poderia sempre voltar para  minha zona de conforto , mas decidi fazer uma mudança. Eu quis ser bem sucedido e ficar como um vencedor e  foi essa a motivação que me levou".

Me lembro de ir ao posto de saúde (Kupat Cholim), e ver, em todas as portas,   a lista com o nome dos médicos: Dr. Rubinstein, Dr. Berkowitz, etc. e… O que eu  não via era   o titulo de Dr. Buhadana . Disse para mim mesmo: quero me juntar àqueles que fizeram isso, e fui estudar o o ensino médio em uma escola em Tel Aviv. Foi  assim que  o meu motor interno começou a trabalhar. Eu quis ter sucesso e ficar com pessoas bem sucedidas, foi essa     a motivação que me moveu. ".

Tomer não está falando sobre o como se tornou um símbolo da Segunda Guerra do Líbano.  Deitado em uma maca, sendo evacuado para a ambulância, com a mão levantando com o "V" (vitória)  se tornou um dos símbolos daquela guerra.

A história de sua reabilitação após uma lesão grave, tomou, na sua opinião, demasiado tempo, mas isso o levou  a uma mudança de atitude em relação à vida.

Hoje, ele oferece serviçor de monitoria para crianças em risco e se transformou aem palestrante, contando a   a história de sua vida, que, é uma luta contra todas as probabilidades.

 

Dr. Sharon Shalom: "Vejo sempre diante de mim o meu avô"

Na Etiópia, ele se  chamava Zaudo Molo, mas desde que fez aliá, na operação da Flotilha 13, é conhecido como Sharon Shalom.

Hoje ele é o rabino em uma comunidade de olim da Romênia, em Kiryat Gat, Doutor e professor universitário de Filosofia Judaica.

 

O que  te deu força para realizar seus  desejos?

"Meu avô, Z"L, levava sempre consigo o seu livro de Salmos - aonde quer que fosse, mesmo quando ele fugiu a pé da Etiópia para o  Sudão.

Hoje, quando eu seguro o livro dos Salmos de meu avô, eu o vejo diante dos meus olhos , eu ouço suas palavras".

 

Quando Sharon mostrou o livro  dos Salmos de seu avô,  a face da Avital, esposa de Natan Sharansky, mudou. Quem   conhe a biografia de seu marido - sabe, que ele recebeu dela o livro de Salmos quado foi preso, e não o tirou das mãos  enquanto esteve preso.  E mesmo hoje, leva consigo o livro para onde for.

"O que me deu confiança  foi  o curso da vida e a fé do meu povo. 2000 anos de exílio acabaram para mim, com minha Aliá e a Aliá da minha família. Isso me dá a motivação para perseguir meu objetivo, e não   continuar a girar sem rumo pelo mundo ".

 

Perguntas dos jovens dos cursos preparatórios e do Ulpan

-       Sr. Sharansky, qual é a fonte pessoal de motivação em sua ação?

Sharansky respondeu: "O desejo de ser livre e pertencer. E vou contar uma história: Quando me encontrva com meus  interrogadores, nunca disse e nunca  confessei nada, mas contava por exemplo, piadas sobre o líder da União Soviética na época, Brezhnev. Uma que eu contei pra eles:  Brezhnev convocou os cosmonautas, e disse-lhes: como   os americanos chegaram à lua, nós devemos pousar no sol. Então um dos cosmonautos perguntou: Mas como é que vamos chegar ao sol, sem nos queimar? E Brezhnev respondeu: vamos chegar ao sol à noite ... Os guardas se controlavam para não irromper em risos… Então eu lhes disse: Eu sou um homem livre! Vocês é que   na realidade  são prisioneiros;  se vocês não podem mesmo contar uma piada, não são pessoas livres ".

"Minha motivação era de ser um homem livre, a este respeito, há muito para fazer nesta vida", disse Sharansky.

-       O joven Oren Nahari ,do curso pré -militar, perguntou: O que deu te forças  em momentos de crise? Michal Granovsky, do curso preparatório Kol Ami perguntou: Em retrospecto, você faria  novamente tudo o  que fez ?

Sharansky: Havia  momentos de crise: quando você sente que você pode não ser capaz de sair vivo da prisão ou quando você sente que sua família está sofrendo  muito , e você se sente responsável por sua família  também. Muito depressa eu pude entender que, se o meu objetivo é sobreviver fisicamente na prisão, os guardas podem me quebrar fisicamente. Eu precisei entender que talvez não poderia  sobreviver fisicamente, mas eles não poderiam tirar de mim - a minha liberdade. Se o seu objetivo é ser uma pessoa livre, você pode sobreviver, mas isso depende apenas de você. "

"Eu fiz uma greve de fome que durou mais de cento e dez dias, eles me alimentavam à força, e passei por situações   muito difíceis, mas, eventualmente, elesvoltram atrás e me deixaram manter  correspondência por cartas  com a minha mãe. O que me deu força? Avital e a família que queriam que fôssemos pessoas  livres ".

Dr. Sharon Shalom: "O que me manteve foi a sensação de que eu estava fazendo a coisa real.  O seu mundo interior determina o mundo exterior. Você se encontra diante de si mesmo. Eu fiz o que acreditava e eu estava pronto para pagar qualquer preço por isso ".

Tomer Buhadana: "Qual é a origem da minhas forças? Elas mudam ao longo do tempo. Quando eu era comandante da companhia dos pára-quedistas, uma centena de pares de olhos de soldados - me deu a força para realizar. Isso era fácil relativamente, porque  nos momentos  mais difíceis   me encontrava sozinho. Descobri a minha força descobrindo que  ao  tomar conscência   das minha incompetência podia  em seguida me levantar.

Eu tenho fé na minha capacidade de mudar e na capacidade de distinguir entre coisas sobre as quais  não tenho controle, e aquelas sobre os quais tenho controle. Dessa forma, posso navegar a minha força aos lugares em  que posso mudar. Se eu iria mudar alguma coisa na minha vida? Não. Eu não mudaria nada ".

 

-       Julia Ravnitzky, do programa Naale pergunta: Que qualidades precisa ter um líder?

Tomer Buhadana disse: "exemplo pessoal". Dr. Shalom Sharon disse: "As qualidades Moshe Rabeino".

Natan Sharansky tinha uma resposta diferente.

"Eu sempre me encontro com os nossos Shlichim, seja em Israel ou no exterior, e fico sempre impressionado com o idealismo dos jovens. Eu digo que o homem, o líder, como eles, deve entender  que ele/ela  vive na história, vive os seus passos, e  deve saber que não há nada  grande ou pequeno, tem que fazer o tempo todo, sem fazer a distinção entre realizações  grandes ou pequenas.

Tem que visualizar a missão e sua importância e compreender a sua contribuição ao mundo. Viver esta contradição: compreender que o mundo depende também de você, e ao mesmo tempo - ter um saudável senso de humor para que clarifique que a sua contribição para o mundo é de pequena porção.

Mas tudo isso sem esquecer o fato mais importante da vida: ninguém pode afetar você e só você vai determinar o curso da sua vida. Assim vocês serão líderes, assim vocês serão pessoas boas neste mundo. Aliás, isso é exatamente o que eu disse aos meus interrogadores  há trinta anos, quando eu estava atrás das grades na União Soviética.".

 

05 Out 2016 / 3 Tishrei 5777 0
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