>Rafael Stern, de 27 anos, imigrou para Israel ontem (14 de março) com outros 30 imigrantes brasileiros, e hoje já faz pesquisa em um laboratório no Instituto Weizmann de Ciências em Rehovot, como estudante de PhD na área de Ciências Ambientais. Em seu caminho para cá ele passou por diversas dúvidas, e entre elas a de fazer o doutorado na Universidade de Harvard, nos EUA, e o que o convenceu foi seu amor grande pelo cantor Arik Einstein. História de um imigrante especial do Brasil.

“Todos os que escutavam que eu estava imigrando para Israel me diziam que para mim era como se eu estivesse voltando para casa”, conta Rafael Stern.

Rafael Stern teve, durante toda a sua vida, uma ligação muito forte com Israel. Ele nasceu em uma casa de pais sionistas, estudou em uma escola judaica no Rio de Janeiro, fez parte do movimento juvenil Habonim Dror. “Fui muito ativo no movimento Habonim Dror no Rio de Janeiro. Além disso, cresci ouvindo Arik Einstein e Uzi Chitman. Em 2007 fiz um ano de preparação pelo Habonim Dror em Israel, e voltei em 2012 para estudar e trabalhar”, diz ele.

Junto com sua atividade no movimento juvenil, sua atuação nos programas da Agência Judaica (escola para madrichim, Modelo Knesset), ele também terminou a graduação em Geografia. Terminada a graduação no Brasil, ele foi para o Instituto Aravá no kibutz Ketura e se apaixonou. Trabalhou por alguns meses no Instituto Weizmann e retornou ao Brasil para fazer o mestrado, em Manaus, onde trabalhou em cooperação com a Universidade de Harvard em suas medições na Amazônia.

“Cheguei em Manaus para abrir uma nova sede do movimento juvenil Habonim Dror, e apenas depois acabei encontrando o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, onde comecei com uma bolsa de pesquisa e acabei fazendo o mestrado. Fui muito ativo na comunidade judaica de Manaus, que tem cerca de 700 pessoas. Dava aulas de hebraico, história e cultura do povo judeu”, conta Rafael.

Quando trabalhou no Instituto Weizmann em 2012, seu orientador de lá – Dan Yakir -recomendou que Rafael fizesse seu mestrado em Manaus sendo orientado por um pesquisador da USP que ele já conhecia e que coordena projetos importantes na Amazônia – Paulo Artaxo – e que voltasse depois para o Weizmann para o doutorado. Seguindo a recomendação, Rafael chegou em Manaus e começou a trabalhar no projeto que o Paulo Artaxo coordenava em conjunto com um pesquisador de Harvard, e cooperou com esse grupo de Harvard por mais de 2 anos. Rafael foi até Harvard apresentar seus resultados do mestrado, e quando defendeu sua dissertação, teve o pesquisador de Harvard em sua banca. Após a defesa, houve uma longa conversa sobre a possibilidade do doutorado no grupo dele, para continuar a trabalhar com a Amazônia, o que deixou Rafael muito seduzido por esse plano.

E Rafael explica: “Meu orientador do Weizmann estava apenas esperando passar a defesa da dissertação para começarmos os procedimentos burocráticos da inscrição no doutorado. No entanto, fiquei mais de 1 mês sem falar com ele, extremamente seduzido que estava pela possibilidade do doutorado em Harvard. Por um lado eu estava muito tentado pela proposta de Harvard, mas por outro me sentia muito ligado a Israel, era o lugar que sonhei por muito tempo que queria estar, e no Instituto Weizmann de Ciências, com todo o projeto que eu já conhecia e que tanto me encantava. Fiquei com uma dúvida muito grande, mas algo muito forte me atraiu a Israel, ao Instituto Weizmann. Talvez o nome de Harvard seja mais reconhecido no mundo, mas o nome do Weizmann também é muito respeitado. Isso ficou reverberando em mim por muito tempo e não conseguia decidir”.

Até que um dia, se preparando para se mudar de São Paulo de volta para o Rio de Janeiro, Rafael resolveu assistir a um documentário novo sobre o Arik Einstein. “Arik começa a falar sobre sua música San Francisco Al HaMaim. Diz que quando a escreveu estava nos Estados Unidos, vislumbrado com toda a beleza e exuberância das paisagens e das cidades. Mas que algo o incomodava naquela necessidade norte-americana de que tudo tinha que ser o mais, the best, como ele dizia em tom de deboche. A grama mais verde, o céu mais azul, os prédios mais altos, the best, the best, the best. Ele debochava de tudo isso e perguntava olhando diretamente para a câmera, parecia que dizia diretamente para mim – Para que eu preciso do the best? O melhor é estar em casa, não é?”

“Quando Arik Einstein morreu, publiquei dois artigos em português sobre ele na mídia comunitária judaica. E agora, quando precisei tomar uma das decisões mais importantes da minha vida, ele me inspirou a explorar o meu amor e ligação muito profunda com Israel. É uma ligação de coração, profunda no coração, que se expressou justamente em um momento que viria a influenciar o resto da minha vida como cientista e como cidadão”, ele me conta.

“Estou muito emocionado de voltar para cá, para mim é um movimento muito natural, pois sinto que estou voltando para casa, para o lugar onde preciso estar”, ele diz e sorri emocionado.

Fonte – Matéria publicada no http://www.jewishagency.org/he/blog/7606/article/46016

 

NOTA – Rafael Stern já começou seu doutorado no Instituto Weizmann de Ciências e está treinando para utilizar um instrumento de medições de um gás para estimar a fotossíntese, e se familiarizando com o laboratório móvel que fica dentro de um caminhão que terá que começar a dirigir e operar em breve. Assim, fará comparações dos fluxos entre diferentes tipos de vegetação e a atmosfera ao longo de todo o país.

 

 

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07 Jun 2016 / 1 Sivan 5776 0